23 de mar. de 2020

C.S. Lewis e a ameaça do novo coronavírus



No livro Present Concerns1, uma coletânea de vários artigos escritos por C.S. Lewis, há um artigo com o título Vivendo numa Era Atômica, onde ele apresenta uma resposta à pergunta: “Como viveremos numa era atômica?”. O artigo foi escrito em 1948, três anos depois da explosão da bomba de Hiroshima, quando o mundo estava tentando lidar com a nova realidade da possibilidade de uma explosão nuclear que pudesse destruir grande parte da humanidade. 
 
A resposta dele é apropriada a qualquer outro momento quando vivemos com alguma ameaça à vida humana, de proporção global, como é o caso da atual epidemia do novo coronavírus:
 
“Uai, (sim, no inglês a palavra why pode ser usada de modo parecido como os mineiros usam o uai), da mesma maneira que você viveria no século 16 quando a ‘peste"2 visitava Londres quase todos os anos, ou como você viveria na era Viking quando os invasores da Escandinávia poderiam chegar a qualquer noite e cortar suas gargantas; ou na realidade, como você já está vivendo numa era de câncer, de sífilis, de paralisia, uma era de bombardeamento aéreo, de acidentes ferroviários, de acidentes rodoviários.”
 
Em outras palavras, não devemos começar a exagerar a “novidade” da nossa situação. 
 
“Você, bem como todos os que você ama, já estavam sentenciados à morte antes da bomba atômica ter sido inventada; e uma boa parte de nós iremos morrer de uma maneira desagradável. Nós, de fato, temos uma grande vantagem sobre os nossos antepassados – anestesia. É perfeitamente ridículo sair por aí choramingando com rostos longos porque os cientistas adicionaram mais uma opção de morte dolorosa e prematura a um mundo, já arrepiado por tantas opções, no qual a morte, em si, não é uma opção, mas uma certeza. A primeira coisa a fazer é controlar-se. Se todos nós vamos ser destruídos por uma bomba atômica, quando a bomba chegar, que ela nos encontre fazendo as coisas sensatas e humanas – orando, trabalhando, ensinando, lendo, ouvindo música, dando banho nas crianças e não amontoados como ovelhas amedrontadas pensando sobre bombas. Elas podem quebrar os nossos corpos (um micróbio pode fazer isto – no nosso caso um vírus) mas elas não precisam dominar nossas mentes.”3
 
C.S. Lewis destaca que a nossa reação a esta pergunta vai depender da nossa resposta a outra pergunta: “O Universo é a única coisa que existe?”. Ele mostra que a ciência já fala que um dia todo o universo chegará a um fim, e se cremos que ele é tudo o que existe então não há muita razão para esperança, pois ele é “um navio naufragando” e que, a longo prazo, ele “não é muito a favor da vida”. O que a guerra (Lewis estava vivendo com a memória das duas grandes guerras), a ameaça climática, e a bomba atômica fizeram foi, abruptamente, relembrar que tipo de universo vivemos, e nos fez perguntar se o final vai chegar prematuramente por causa da intervenção humana. 
 
Mas se cremos que o Universo não é a única coisa que existe, que na realidade somos irmãos, e temos um Criador comum, isto muda completamente a nossa atitude, a situação se torna mais tolerável. Lewis mostra que talvez não sejamos prisioneiros, mas colonizadores do universo, aprendendo a conviver com ele e a lidar com as intempéries que enfrentarmos. Mas, acima de tudo, devemos viver de acordo com os valores que refletem o caráter do Criador, como amor e sobriedade, e não a lei natural da “sobrevivência do mais forte”. Lewis fala que esta última é, justamente, a maior ameaça à existência da humanidade ou de uma nação.
 
Além de guiarmos nossas vidas e relações por estes princípios, também, se cremos num Criador amoroso e gracioso, podemos descansar no seu cuidado com a vida humana, em qualquer situação que vivemos, em meio a qualquer ameaça que estejamos enfrentando. O apóstolo Paulo, escrevendo para a igreja em Roma, que estava enfrentando dificuldades, mas que em breve passaria por uma das mais cruéis perseguições, sob a tirania de Nero, faz uma pergunta semelhante: “Será que a tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada nos separará do amor de Deus?”. O foco da pergunta não é se alguma destas crises pode fazer com que desviemos da fé em Deus, mas se ao enfrentarmos alguma delas, ela poderá gerar em nós um sentimento de que está ocorrendo fora, separado, do amor cuidadoso de Deus por nós. Sua resposta é bem taxativa. NADA. Nenhuma delas deve nos dar a impressão de que estão ocorrendo separadas do amor de Deus. Tudo que acontece conosco está dentro do Seu amor e cuidado para conosco. Não importa o problema que estejamos enfrentando, toda nossa vida está sob o cuidado amoroso e gracioso Dele. E mais ainda: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.35-39).
 
Notas
1. Present Concerns, editado por Walter Hooper, Harper Collins, Nova Iorque, 2017. O artigo ‘On Living in an Atomic Age’, publicado na revista Informed Reading, vol. VI, 1948, pp. 78-84.
2. A Peste Negra, ou Peste Bubônica, foi a maior pandemia da história humana, que ocorreu na Eurásia, entre 1323 e 1353, com aproximadamente 75 a 200 milhões de mortos.
3.  Present Concerns, pp. 91-92.

• Rosifran Macedo é pastor presbiteriano, mestre em Novo Testamento pelo Biblical Theological Seminary (EUA). É missionário da Missão AMEM/WEC Brasil, onde foi diretor geral por nove anos. Atualmente, dedica-se, junto com sua esposa Alicia Macedo, em projetos de cuidado integral de missionários.

18 de mar. de 2020

De cultos online a 'não leia notícias sobre pandemia': como as religiões estão lidando com o coronavírus no Brasil




A preocupação com o novo coronavírus também chegou aos templos religiosos do Brasil. No fim de semana, algumas denominações, como igrejas evangélicas e mesquitas, suspenderam cultos e celebrações por tempo indeterminado para evitar a aglomeração e uma possível transmissão em massa do vírus entre os fiéis.
Para tentar resolver essa questão, alguns templos têm transmitido mensagens religiosas aos fiéis por meio de serviços de streaming, redes sociais, aplicativos e até do rádio. Há entidades que mantiveram alguns eventos, mas orientaram fiéis com mais de 60 anos ou com sintomas da doença a ficar em casa.
Por outro lado, alguns líderes religiosos de grandes igrejas disseram que não vão fechar as unidades e até pediram para que fiéis parem de ler notícias sobre a pandemia.
 transmissão da doença pode ocorrer por contato com pessoas infectadas ou superfícies que tenham o vírus — respirando no mesmo ambiente ou tocando algo que uma pessoa infectada tocou, por exemplo.

Transmissão crescente

Hoje, o Brasil tem 234 casos de coronavírus registrados e 2.064 suspeitos, segundo o Ministério da Saúde. A primeira morte foi confirmada nesta terça-feira (17/03).
Porém, esse número deve aumentar substancialmente nas próximas semanas, segundo projeções de especialistas e médicos. Por isso, cultos religiosos — que costumam receber centenas ou até milhares de pessoas — podem se transformar em um local de transmissão em massa, assim como jogos esportivos, protestos e festas.
Na Coreia do Sul, um dos países mais afetados pelo vírus, por exemplo, uma igreja foi responsável por boa parte das transmissões.
A Igreja de Jesus de Shinchonji, uma seita dedicada a expandir a ideia de que seu fundador, Lee Man-hee, é a segunda encarnação de Jesus Cristo, chegou a esconder das autoridades os nomes dos fiéis que estavam infectados — alguns deles viajaram pelo país. Dias depois, o líder da seita pediu desculpas à população pela negligência.
No Brasil, um dos templos que suspenderam todos os cultos foi a Igreja Batista da Água Branca, na zona oeste de São Paulo. Em comunicado nas redes sociais na quinta-feira, o pastor Ed René Kivitz afirmou que todas as atividades presenciais estão "suspensas até segunda ordem".
"Atendendo às orientações das autoridades e dos profissionais de saúde, nós resolvemos nos juntar a esse esforço global de contenção da disseminação do vírus", afirmou. Os cultos do domingo, dia em que a igreja recebe um grande número de fiéis, foram transmitidos ao vivo pela internet — no templo havia apenas alguns membros da denominação.
O mesmo ocorreu com a Comunidade da Vila, igreja evangélica na zona oeste paulistana — três cultos desse domingo, sem a presença dos fiéis, foram transmitidos pelas redes sociais e pelo aplicativo da igreja.
"Nós vamos manter nossa programação, mas você não precisa estar junto, porque estamos tentando evitar aglomerações", explicou o pastor Marcos Botelho, em vídeo enviado a fiéis.
"Não queremos criar pânico. Acreditamos que Deus está no controle de todas as coisas, mas queremos ajudar o Brasil a não espalhar o vírus de maneira rápida e não ocupar nossos leitos de hospitais. Nos vemos online", finalizou.
Outras religiões também têm seguido recomendações de evitar reunião de pessoas.

'Muita seriedade'

A Mesquita Brasil, no centro de São Paulo, é uma delas. "Estamos levando essa questão com muita seriedade. A partir da última sexta-feira, cancelamos nossas orações que têm congregações e reunião de fiéis, para evitar qualquer contato entre as pessoas", disse o xeique Mohamed al Bukai.
Segundo ele, outras mesquitas do país têm tomado medidas parecidas, mas, por enquanto, ainda não há transmissão de eventos pela internet. "Estamos esperando o que vai acontecer para decidir como continuar com nossas celebrações. Vamos aguardar mais orientações das autoridades", explica.
Segundo a Federação Israelita de São Paulo, algumas sinagogas da cidade também suspenderam as atividades, assim como todas as escolas judaicas da capital paulista. Fiéis com mais de 60 anos também estão sendo orientados a não comparecer aos locais de reunião. Por outro lado, há unidades que mantiveram os cultos em áreas abertas, como jardins, ou dividiram o público em diversos espaços.
Os terreiros de umbanda têm se dividido nessa questão, segundo o sacerdote Pai Engels de Xangô, dirigente do templo Amor e Caridade Caboclo Pena Verde, em São Paulo. Alguns locais suspenderam as atividades nessa semana, embora outros continuem abertos. Esses têm orientado os fiéis com possíveis de sintomas de covid-19 a ficar em casa.
"Estamos pedindo uma coisa difícil na nossa religião, que é evitar o cumprimento, o beijo na mão e a troca de bênçãos. São gestos muito tradicionais", explica. Seu terreiro continua aberto, mas ele diz que a situação pode mudar nos próximos dias, a depender da evolução das infecções no Brasil.
Para o pastor batista Levi Araújo, é importante que, nesse momento, denominações religiosas se posicionem com o objetivo de proteger seus fiéis e o restante da população.
"Seja qual for a religião, essa situação do coronavírus vai apontar quem são os fanáticos e os oportunistas, muitos dos quais só pensam em dinheiro. Esses vão continuar a promover a aglomeração de pessoas dentro das igrejas", disse à BBC News Brasil.
"Os religiosos de bom senso vão seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde e das autoridades de saúde", afirmou ele, que também suspendeu viagens pelo Brasil e tem pregado apenas por meio das redes sociais e de aplicativos de vídeo.

Igreja Católica e líderes evangélicos

No sábado, a Justiça suspendeu missas e eventos religiosos no Santuário Nacional de Aparecida, interior de São Paulo, local com grande concentração de católicos. Nesse domingo, apesar da suspensão das celebrações, centenas de fiéis compareceram ao templo, pois as visitas estavam liberadas.
Outras denominações religiosas mantiveram as atividades plenamente — ou apenas com algumas alterações ou recomendações ao público.
A Diocese de São Paulo da Igreja Católica, por exemplo, orientou as igrejas a se manterem "limpas e bem ventiladas". As unidades com grande presença de pessoas devem aumentar o número de missas para evitar grandes aglomerações em um único evento, afirmou a cúpula.
"Durante as celebrações, evite-se o contato físico, sobretudo, na saudação da paz e na oração do Pai-Nosso; a comunhão seja recebida, preferencialmente, na mão", escreveu a Diocese, pedindo também que idosos ou pessoas com sintomas de covid-19 fiquem em casa.
Já grandes igrejas evangélicas do país, como a Sara Nossa Terra, Mundial do Poder de Deus e a Renascer em Cristo mantiveram os cultos.
A Renascer, por exemplo, afirma em seu site que vai disponibilizar álcool em gel, que a unção com óleo na testa deve agora ser feita com spray e que os fiéis não devem dar as mãos durante as orações e não terão mais funcionários disponíveis para manobrar os carros em estacionamentos da igreja.
Nos últimos dias, famosos líderes evangélicos causaram polêmica ao se posicionarem sobre o coronavírus.
O pastor Silas Malafaia, por exemplo, afirmou em um culto que não fechará sua igreja, a Vitória em Cristo, por causa da pandemia.
"Não vou fechar igreja coisíssima nenhuma. Se amanhã os governos disserem que vão impedir transporte público, fechar mercados, fechar todas as lojas… Como pastor, acredito que a igreja tem que ser o último reduto de esperança para o povo. Se fechar tudo, numa medida drástica, a igreja precisa estar de porta aberta."
Na semana passada, o missionário R.R Soares, da Graça de Deus, afirmou que a população "não precisa ter medo de jeito algum" do coronavírus. "Já houve outras ameaças no meio da humanidade. A profecia, lá no Apocalipse, diz que vai chegar um tempo em que uma terça parte das pessoas vai morrer. Mas ainda não estamos nessa época, não estamos na época de ganhar as almas para Jesus", afirmou.
Já o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, pediu que seus fiéis não leiam notícias sobre o coronavírus.
"Quem anda pela fé anda pela frente. Quando você vê no noticiário 'morreu fulano, beltrano teve coronavírus', não olhe para isso, não leia essas notícias", afirmou em um vídeo nas redes sociais. "Ao invés de você ler essas notícias que falam de morte e de quarentena, da epidemia e pandemia, olhe para a palavra de Deus e tome sua fé na palavra de Deus, porque essa, sim, faz você ficar imune a qualquer praga e a qualquer vírus, inclusive o coronavírus", disse.
Mesmo com a fala de Macedo, a Igreja Universal está tomando medidas para tentar impedir a disseminação do vírus em suas dependências, segundo nota da instituição enviada à BBC News Brasil.A denominação afirmou que vai limitar o número de pessoas nos templos caso as autoridades estipulem uma lotação máxima — mas que também vai aumentar o número de cultos para "atender a todos os que procuram a igreja".
Também disse que as pessoas "são orientadas a se sentarem distantes umas das outras, mantendo pelo menos uma ou duas cadeiras vazias entre si". E que também serão evitadas orações com imposição de mãos.
Fonte: BBC News Brasil, 17 /03/ 2020

13 de mar. de 2020

Coronavírus revela tudo o que há de errado com nosso sistema de saúde mental





Até agora você provavelmente já leu pelo menos um artigo sobre como gerenciar a ansiedade relacionada ao coronavírus . Muitos deles contêm dicas úteis : evitar o ciclo de notícias 24 horas por dia, 7 dias por semana, reformular pensamentos negativos, praticar a atenção plena e conectar-se com os entes queridos. 
Essas habilidades de enfrentamento, sem dúvida, ajudarão a muitos a ansiedade do coronavírus climático , principalmente se tudo na vida estiver indo bem. 
Mas o COVID-19, o termo oficial para a doença causada pelo vírus, está forçando as pessoas a se isolarem, distanciarem e colocarem em quarentena, as quais podem exacerbar o estresse, a ansiedade e a tristeza. Para aqueles que já lidam com doenças mentais, dificuldades financeiras e de relacionamento, apoio não confiável de familiares e amigos e acesso limitado a cuidados de saúde físicos e mentais, lembretes sobre habilidades de enfrentamento são brechas que não podem resolver um problema maior: um sistema quebrado que muitas vezes deixa as pessoas em uma emergência longe de uma crise de saúde mental. 
A ansiedade do coronavírus está aparecendo na Crisis Text Line , onde os usuários do serviço gratuito de suporte à saúde mental mencionam palavras como medo, pavor, oprimido, em pânico e paranóico para descrever seus sentimentos. Um terço das conversas do serviço são normalmente sobre ansiedade; que aumentou para mais de 40% em março. O volume do serviço de terapia on-line Talkspace aumentou 25% desde meados de fevereiro. 
A linha de apoio operada pela Aliança Nacional para Doenças Mentais (NAMI) está passando por uma tendência semelhante e, recentemente, recebeu uma ligação de alguém tão alarmado com o impacto do coronavírus em sua renda que expressou pensamentos suicidas. Desde então, a organização sem fins lucrativos publicou um documento de 11 páginas que descreve as informações e os recursos do coronavírus, incluindo onde obter ajuda em saúde mental se você estiver em quarentena e como acessar os cuidados sem seguro ou médico regular. 
Não há dúvida de que as pessoas estão buscando ajuda, mas o sistema de saúde mental do país está lamentavelmente despreparado para atender a essa necessidade. Dos 60 milhões de pessoas com problemas de saúde mental, quase metade fica sem tratamento. Em 2018, um em cada quatro americanos relatou escolher entre pagar pelos cuidados de saúde mental e comprar itens essenciais para o lar, de acordo com uma pesquisa com 5.000 americanos, encomendada pelo Conselho Nacional de Saúde Comportamental e Rede de Veteranos Cohen. As pessoas relataram longas esperas para ver terapeutas, altos custos e baixa cobertura de seguro. 
Os cuidados de saúde mental são inacessíveis a milhões de pessoas que sofrem em silêncio ou dependem de uma colcha de retalhos de serviços gratuitos. 

Embora as linhas de apoio e os serviços de saúde telementais baseados em pagamento possam fazer uma diferença que salva vidas no momento, precisamos de uma resposta muito mais agressiva à medida que a ansiedade por coronavírus aumenta. 
Joe Parks, psiquiatra e diretor médico do Conselho Nacional de Saúde Comportamental , diz que muitas mudanças podem acontecer através de medidas regulatórias. 
As regras para o fornecimento de tratamento de saúde mental por telefone ou vídeo, por exemplo, variam significativamente dependendo de quem está pagando e de onde o paciente mora. O Medicare, seguro governamental para idosos e pessoas com deficiência, cobrirá apenas a telemedicina em áreas de alta necessidade, como locais rurais com escassez de prestadores. O seguro Medicaid, baseado no estado, para pessoas de baixa renda, crianças e outras pessoas qualificadas, não pode reembolsar o tratamento de saúde telemental em determinados estados. E algumas seguradoras privadas podem cobrir terapia remota, enquanto outras não. 
Parks diz que o governo federal deve considerar mudanças temporárias em suas próprias apólices e incentivar as companhias de seguros a fazer o mesmo para que os pacientes possam receber cuidados de saúde mental de longe. Essa solução pode oferecer tratamento com segurança e eficiência, em um momento em que nenhum paciente ou terapeuta esteja ansioso para se ver. 

Da mesma forma, as regulamentações federais exigem visitas presenciais para prescrever medicamentos frequentemente usados ​​para tratar a ansiedade. Mas com o coronavírus, as regras de auto-isolamento, distanciamento social e quarentena significam que um paciente em sofrimento grave pode achar difícil obter uma receita que alivie seus sintomas. Parks diz que esse é outro regulamento que o governo pode relaxar temporariamente. 
Neil Leibowitz, psiquiatra e diretor médico da Talkspace, diz que as seguradoras podem aceitar reclamações fora da rede para todos os membros. Mesmo quando os planos de seguro oferecem cobertura para a terapia, é difícil encontrar terapeutas que aceitem esses planos devido às baixas taxas de reembolso. Como resultado, os pacientes acabam pagando do próprio bolso. Eles podem atrasar as consultas, principalmente quando enfrentam incertezas econômicas, ou abandonar completamente a idéia de iniciar a terapia. 
Leibowitz também sugere a isenção temporária dos requisitos de licenciamento interestadual, o que permitiria que os terapeutas prestassem atendimento além das fronteiras estaduais. Em outras palavras, um morador de Nova York que deseja tirar proveito da saúde telemental só pode interagir com um terapeuta licenciado pelo estado de Nova York. Leibowitz diz que relaxar essa regra reduziria as barreiras de acesso, principalmente para pessoas em estados onde a escassez de provedores é alta.  

"Se tivermos uma grande onda hoje, vamos lutar". 
"Vamos querer o máximo de capacidade possível", diz Leibowitz. "Se tivermos uma grande onda hoje, vamos lutar". 
Pessoas que sofrem de doenças mentais podem ter maior risco de contrair coronavírus, diz Dawn Brown, diretora da HelpLine da NAMI. Os fumantes, que podem usar nicotina para lidar com as condições de saúde mental, são propensos a piores resultados no COVID-19 . As doenças mentais são desproporcionalmente sentidas por pessoas sem-teto, e essa população está em maior risco de desenvolver COVID-19 porque elas podem viver em locais próximos e sem assistência médica. Pessoas encarceradas, que também sofrem altas taxas de doenças mentais, são vulneráveis ​​graças à falta de recursos para interromper a infecção generalizada. 
Os esforços para prevenir e tratar o coronavírus devem levar em consideração a saúde física e mental das pessoas, principalmente em grupos de alto risco, onde o tratamento especializado para doenças mentais é crítico. 
Brown diz que o governo federal deve responder à ansiedade do coronavírus fazendo investimentos substanciais a longo prazo no sistema de saúde mental do país, com o objetivo de diminuir as barreiras aos cuidados e proporcionar acesso equitativo a todos.
"Minha esperança seria que este seja um grande alerta para os EUA de que temos sérias deficiências em nossos sistemas de saúde e saúde mental", diz Brown. "Irá brilhar os holofotes sobre eles à medida que essa coisa evoluir." 
Fonte: mashable

100 páginas para curtir no Facebook


E, como sempre, decidimos agradecer com uma listinha de 100 outras páginas legais em inglês e português para você curtir no Face também. Está tudo separado por categorias – e, aproveitando o novo recurso de assinaturas da rede social, incluímos uma listinha só com perfis que você provavelmente vai gostar de seguir.
CIÊNCIA E TECNOLOGIA
2. Wired
4. Info

12 de mar. de 2020

A CRUZ É ESCÂNDALO PARA OS HOMENS





Mas enquanto estamos contentes com nós mesmos, em nossa condição pecaminosa natural, não há a menor esperança para nós. Então, você vê, este é “o escândalo da Cruz”, [isto é] que os homens não deixam de confiar em seus próprios méritos! Mas há outro escândalo mais grave, e o mundo nunca perdoou a Cruz, que “ofende” ainda - ela não vai reconhecer quaisquer distinções entre a humanidade. A Cruz faz com que pessoas morais e imorais vão ao céu pelo mesmo caminho! 

A Cruz faz com que ricos e pobres entrem no Céu pela mesma porta! A Cruz faz com que o filósofo e camponês caminhem no mesmo caminho da santidade! A Cruz adquire a mesma coroa para a pobre criatura com um talento assim como o homem com 10 talentos receberá. Portanto, o homem sábio diz: “O quê? Devo ser salvo pela mesma cruz que salva um homem que não conhece suas letras?” Sua distinta senhora pergunta: “Devo ser salva da mesma forma como a minha jovem serva?” O senhor diz: “Devo ser salvo da mesma maneira que limpa chaminés?” 

E aquele que se orgulha de sua justiça própria clama: “O quê? Devo acotovelar contra uma prostituta, [ou] até ao cotovelo de um bêbado na estrada para o Céu? Então, eu não vou para o céu de modo algum”. Então, senhor, você estará perdido! Não há dois caminhos para o céu, é o mesmo caminho para todos que vão para lá e, portanto, a Cruz sempre foi ofensiva para homens nobres e de poder. Poucos reis e rainhas já se inclinaram humildemente diante dela.

por Charles Haddon Spurgeon, Em New Park Street Chapel, Southwark. Pregado na tarde do Dia do Senhor do ano de 1856 E também lido no Domingo, 30 de Outubro de 1898.