16 de ago de 2014

Fumantes são mais infelizes, indica estudo feito na PUC de Porto Alegre

                     Fumantes são mais infelizes, indica estudo feito na PUC de Porto Alegre

Segundo aponta pesquisa, tabagismo pode levar à ansiedade e depressão. Estudos estão esmitificando a ideia de que o cigarro pode ser calmante. Pesquisas recentes estão acabando com o mito de que o cigarro pode funcionar como um “calmante” em momentos de ansiedade e nervosismo.




O hábito de fumar, na verdade, pode tornar as pessoas mais infelizes e levar à depressão, aponta um estudo feito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.
A pesquisa foi realizada com 1.021 pacientes do Ambulatório de Cessação do Tabagismo do Hospital São Lucas da PUCRS e comparou grupos de fumantes, ex-fumantes e pessoas que nunca fumaram. Os resultados mostraram que os primeiros atingiram, em média, 50% a mais de pontos do que os demais em uma escala usada para medir o grau de depressão.
Entre o grupo de tabagistas, os que fumavam mais cigarros por dia e por mais tempo apresentaram quadros de depressão mais profundos. Para o pneumologista José Miguel Chatkin, coordenador do estudo, os resultados reforçam a noção de que a nicotina ou outras substâncias inaladas na fumaça do cigarro podem ser causadores de ansiedade e depressão.
“Inúmeros trabalhos têm mostrado que o grau de ansiedade e de depressão de fumantes são maiores. Não fumantes e ex-fumantes são mais felizes em vários aspectos da vida, como satisfação com a posição profissional e com a vida pessoal”, explica o médico. O pneumologista diz que até poucos anos atrás predominava, mesmo entre os profissionais de saúde, a noção de que o fumante utilizava o cigarro como uma automedicação, um ansiolítico ou antidepressivo, para aliviar o mal-estar que sentia. As pesquisas recentes, no entanto, estão derrubando esse mito e demonstrando que o tabagismo pode estar associado a outros malefícios, além dos já conhecidos pela medicina.
O estudo não constatou diferenças significativas entre homens e mulheres. Também mostrou que ex-fumantes apresentavam grau de ansiedade ou depressão praticamente igual ao do grupo de pessoas que nunca fumou, resultado considerado importante para orientar o trabalho de especialistas no tratamento de pacientes que desejam abandonar o vício.
“Esse é um argumento fundamental para ser utilizado com o tabagista. Durante o tratamento, existe um momento de turbulência, provocado pela crise de abstinência, que dura cerca de uma semana. O fumante fica pensando em como será a vida dele sem a 'bengala' que é o cigarro. Mas ele precisa entender que, passada essa fase, ele terá um ganho de qualidade de vida significativo”, destaca Chatkin.
Parte da tese de doutorado de uma bióloga, o estudo feito na PUCRS foi publicado no British Journal of Psychiatry e apresentado em uma conferência nos Estados Unidos. Agora, ele dará origem a outra pesquisa, mais completa, com acompanhamento de pacientes antes e depois de largarem o cigarro. A intenção é saber se a melhora no humor tem relação com o tabagismo ou se deve ao fato do ex-fumante sentir-se melhor por ter conseguido vencer a batalha contra o fumo.

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