13 de mar de 2017

ESPALHANDO A MISERICÓRDIA DE DEUS



Lucas 6.32-36


O Deus cristão que a Bíblia apresenta, comparado com os deuses de outras religiões, parece um Deus “mole e fraco”: ele perdoa, ele não usa a força para convencer, ele não se defende. O Deus cristão ajuda a todos, quer creiam nele, quer não. Uma pessoa nega a sua existência, outra o amaldiçoa, mas ele prossegue no firme intento de abençoar estas pessoas com a vida, família, trabalho, dinheiro, produção, amigos, etc. 

E mais, ele se gloria exatamente nisto, pois diz que é sua graça e misericórdia e ele tem prazer em ser e agir assim. Ele está tão seguro deste modo de ser que quer que seus discípulos, através de Jesus Cristo, o imitem. Esta é a mensagem de Jesus em Lucas 6.32-36.

Nos v. 32-34, Jesus faz três perguntas retóricas a seus discípulos: em que se demonstra em nós a graça de Deus se amamos quem nos ama? O que há de mais em fazer o bem a quem lhe faz o bem? O que há de mais para os discípulos se eles emprestam a pessoas que eles têm a certeza que vão devolver? Jesus diz que estas atitudes são tão comuns no mundo que até pessoas que chamamos de ruins fazem isto. 

Ao fazermos estas atitudes, estamos nos nivelando ao normal das pessoas, ao senso comum. Jesus pergunta-nos: “o que há de mais nisso?”. A resposta é: nada. Ser discípulo de Jesus é ir além do senso comum. É fácil amar os iguais mas Jesus quer que amemos os diferentes de nós. 


O que Jesus quer que façamos então? Ele mesmo diz: “amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles, sem esperar receber nada de volta” (v. 35). Em outras palavras: amem, sem reservas, os diferentes de vocês! Jesus nos propõe aceitar um estilo constante de vida na qual vamos nos tornando, não sem esforço, pessoas graciosas e misericordiosas com todos: à pessoa que nos faz o mal, às pessoas difíceis e que não dão retorno às nossas ajudas. 


Ele nos chama a fazer o bem a todos e dar sem esperar receber de volta. Como evangélico que sou vejo a tremenda dificuldade de nosso grupo em obedecer estas palavras de Jesus. Nós, que somos evangélicos, só amamos os que também são deste grupo e olhe lá! O que aprendo com Jesus aqui é que, como evangélico, tenho que amar, sem reservas, os que praticam outras religiões: os católicos, espíritas, adeptos do candomblé e macumba, testemunhas de Jeová, muçulmanos, entre outros. Amar os ateus. Amar aqueles que têm uma prática de vida diferente daquela que ensinamos: os homossexuais, os adúlteros, os fornicadores, os corruptos, os violentos, os pedófilos, os criminosos. 


Ao amá-los, não estamos concordando com práticas e fés que julgamos erradas. Não vamos também, na hora certa, deixar de falar daquilo que julgamos ser a verdade da crença e da ética. O que quero dizer é que os atos de amor, graça e misericórdia precedem qualquer tipo de diferença que venhamos a notar. Amar, primeiro; julgar, bem depois, e só se for necessário para o exercício do amor.


Quando agimos assim, com misericórdia e amor acontecem duas transformações conosco. A primeira transformação é que nos tornamos ricos diante de Deus (v. 35). Parece que estamos perdendo, ficando por baixo dos outros mas Jesus diz que nossa recompensa será grande diante de Deus. Há um grande lucro pessoal em agir assim. A segunda transformação é que nos tornaremos filhos do Altíssimo. Jesus disse: “porque ele é bondoso para com os ingratos e maus”. 

Veja bem o que está escrito no texto: Deus é bondoso para com os ingratos e maus! Deus age desse jeito com gente que não presta, não merece, mas ele age assim porque ele é assim. Cada vez que assumimos o estilo de vida de agir com misericórdia e graça, nos tornamos parecidos com o Pai celestial. Filhos que carregam o mesmo DNA do Altíssimo. Deus está sendo misericordioso agora (v. 36). A maior demonstração da misericórdia e amor de Deus foi a morte de Jesus na cruz para pagar o pecado dos pecadores. 


O apóstolo Paulo diz: “mas Deus demonstra o seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5.8). Será que você consegue entender e crer na misericórdia de Deus em seu favor e de todas as outras pessoas da humanidade? Torne-se misericordioso também, como ele é.


Fui criado no grupo chamado “evangélico” e tornei-me um deles por vontade pessoal quando ainda era criança e entreguei minha vida a Jesus. Mas confesso que ainda estou muito longe de ser uma pessoa do tipo que Jesus falou. Tenho muita dificuldade em amar o diferente, àquele que se opõe a mim. No entanto, tenho tentado sair dos preconceitos do meu “gueto” evangélico, enraizados na minha vida, a fim de olhar o outro com amor. Que Deus continue a ter misericórdia deste pecador que sou eu, e continue me transformando à sua imagem.

Fonte: Desconhecida

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