31 de mar de 2016

O PODER TRANSFORMADOR DO EVANGELHO

Anos atrás circulou, em vários países, que os nativos se haviam levantado contra a agressão européia em certos pontos das Ilhas do Mar do Sul, sendo enviada uma comissão real a fim de investigar o caso. Esses estranhos rumores surgiram em torno da trágica morte do Sr. Bell, funcionário de certo distrito, e de seu auxiliar, Sr. Lilies, na Ilha de Malaita, no grupo de Salomão.



O cavalheiro que presidia essa real comissão chegou ao local da desordem e começou suas investigações. Foi ter, afinal, às ilhas chamadas Salomão Ocidental, e Ragoso, foi chamado para falar em favor dos chefes dessas ilhas.
O emissário, ansioso de conhecer os íntimos pensamentos desses nativos, dirigiu-lhes três perguntas. Primeira: Eram os nativos mais felizes em seu primitivo estado, isto é, antes da chegada do homem branco, do que agora? Segunda: Tinha alguém de seu povo desejos de volver àqueles costumes pagãos? Terceira: Desejavam eles que o país ficasse inteiramente em seu poder, sendo retirados os estrangeiros?

Kata Ragoso começou sua resposta fazendo uma viva descrição das condições predominantes naqueles antigos dias. Contou como o povo vivia então em constante temor, pois eram caçadores de cabeças, e antecipavam naturalmente a vingança. Viviam constantemente preparados para um súbito ataque e, em vista disto, não tinham nenhum lugar fixo de habitação, morando bem próximo de suas plantações. Seus ritos religiosos exigiam o sacrifício de criaturas humanas. Havia doenças, e centenas de seus filhos morriam antes de um ano.

"Não, senhor" – disse ele – "nós não éramos felizes naqueles dias." Descreveu então a mudança que se operara com o advento do homem branco. Mas muitos desses brancos estrangeiros roubavam seus amigos e parentes e os levavam para trabalhar em plantações em outras terras e ninguém os via mais. Foi uma época bem sombria, aquela, na história das ilhas do Sul do Pacífico. Mas tão ansiosas estavam essas pessoas para adquirir machados de ferro ou de aço que fariam qualquer coisa a fim de os conseguir, e em sua decisão de assim fazer muitos eram apanhados em armadilhas, indo parar no porão dos navios do homem branco. Os que ficavam, naturalmente, procuravam vingar-se, e muitas tripulações foram trucidadas e os navios postos a pique naquelas lagunas.

Então chegaram os missionários e o governo estabeleceu seu sistema de controle que, gradualmente, operou uma mudança. E Ragoso se expressa nas seguintes palavras:

"Vós chegastes com vossos canhões e nós vos enfrentamos com  as nossas lanças, mas havia falta de confiança de parte a parte, até que, finalmente..." Apanhando então a Bíblia à vista de todos os presentes, disse: "Senhor, foi a vinda deste Livro que operou a verdadeira mudança na vida de meu povo. A história deste Livro tem sido uma inspiração para nós. Temos procurado seguir o exemplo do Homem deste Livro; e hoje, senhor, não nos encontramos como inimigos, mas como amigos."

Ao mesmo tempo em que o chefe estava falando, numa ilha próxima as moças e crianças estavam cantando, e pareceu agradável a todos os presentes ouvir aquele  cântico, e observar a confiança com que fruíam a mútua convivência.

"Olhai!" – disse Ragoso –  "Aqueles rapazes e meninas não estão atemorizados hoje. Vivem em casas limpas, e em aldeias bem estabelecidas. Têm igrejas e escolas e não há o temor de vinganças. Ninguém carrega lança ou escudo. Aqueles dias já passaram e apreciamos a obra realizada pelos missionários, o governo, e os comerciantes, e o auxílio médico que nos tem sido dispensado. Outrora muitos de nossos filhos morriam por falta de cuidados médicos; hoje estão recebendo o necessário tratamento. Sabem ler, escrever e comunicar-se uns com os outros.

"Não, senhor, não há um único homem em todo o meu território que deseje voltar aos dias de outrora, mas foi a história deste Livro que nos tirou as lanças e espingardas, nossas armas de guerra, tornando-nos homens e mulheres transformados. Por causa disto não temos nenhum desejo de volver aos costumes e condições daqueles antigos dias, nem que nossos missionários, o governo e os comerciantes nos sejam tirados. Estamos preparados para fazer nosso trabalho de maneira que não somente auxilie o homem branco, mas o inspire a ajudar-nos também. Necessitamos de coisas que os brancos nos podem dar. Apreciamos o fato de o Evangelho nos ter tornado melhores. Ele nos concedeu o direito de viver sob melhores condições."

O chefe da comissão declarou, posteriormente, que, ao ouvir Ragoso traçar resumidamente a história de seu povo, sentiu comover-se-lhe o próprio coração ao ver o fruto dos princípios missionários revelados na vida de um tal homem.
Ragoso tem permanecido fiel e firme à causa de Deus, e através dos muitos meses de guerra, tem procurado estimular seu povo a permanecer fiel, procurando sempre, em toda a sua obra, dilatar a causa da verdade, a causa de Deus a quem ele agora serve com amor.  

Fonte: N. Ferris.

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