24 de mar de 2016

Entre a Pizza e o Hambúrguer: Até quando o ímpio triunfará?



Entre a Pizza e o Hambúrguer: Até quando o ímpio triunfará?
Além de ter viajado muito e conhecido muito dos EUA, vivi por mais de um ano naquele país, na prestigiada região da Nova Inglaterra. Pude ver de perto o cotidiano da sociedade americana e verificar como “as coisas realmente são” na prática. Se no Brasil e na América Latina tornou-se consenso que a corrupção e a impunidade têm, por anos, destruído a sociedade, nos EUA a realidade não é tão diferente assim, como se poderia imaginar. Sem dúvida, a América católica está “muito à frente” no triunfo da tirania e da corrupção (Caetano Veloso que o diga!). As denúncias contra o governo brasileiro sugerem que o ditado popular de que todos os políticos “são farinha do mesmo saco” parecem ganhar ainda mais força. Infelizmente, para muitos, nada chega a surpreender. Ouve-se um triste “eu já sabia”… “era só questão de tempo”… “estão apenas descobrindo uma parte das falcatruas”.
Enquanto isso, tudo indica que as coisas nos EUA caminham a passos largos para uma sociedade cada vez mais injusta. Há alguns anos, explodiu o escândalo da Worldcom, a crise do mercado imobiliário (caso Madoff) e a “farra do crédito” que faliu tantos bancos. Pessoas poderosas e ricas como Bill Clinton, O. J.Simpson e Michael Jackson escaparam ilesos em seus processos que ganharam notoriedade. Grande parte da população não acredita que fossem inocentes, mas como são “celebridades”, o tratamento dos mesmos foi diferente. Se no Brasil muita coisa acaba em “pizza”, lá algumas delas acabam em “hambúrguer”. Lá existe suborno, exploração de mão de obra barata, tráfico de pessoas, falsificação de documentos, abuso policial, “jeitinho” e até escravidão. E para os racistas de plantão que imaginam que estas coisas são feitas apenas pelos “povos inferiores” como “cucarachas” ou “hispanos”, “brazucas”, “asiáticos” (geralmente chineses),“italianos”, etc., a verdade é que muitos espertalhões lá são brancos, loiros e de olhos azuis. Como costumam dizer: “são americanos mesmo”.
A finalidade deste artigo não é “pichar os EUA”, mas apenas mostrar a crise moral mundial que atinge até mesmo uma sociedade marcada por uma forte herança protestante positiva dos seus primeiros pais. Há um triunfo galopante da impiedade no mundo, e até mesmo dentro da igreja. Cada vez mais, os ímpios praticam a opressão. As coisas acabam em “pizza”, “macarrão”, “hambúrguer”, “salsicha”, “strogonoff”, “pastel”, etc. Diante de tal realidade cruel, podemos entender a luta do salmista, descrita em vários textos bíblicos. No Salmo 12.8, o texto descreve desoladamente o que vemos hoje: Os ímpios andam altivos por toda parte, quando a corrupção é exaltada entre os homens. A triste constatação da vitória momentânea dos opressores leva o poeta bíblico ao desespero. Há uma oração que bem pode ser chamada “oração do tipo Mike Tyson”: Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu! Quebra o queixo de todos os meus inimigos; arrebenta os dentes dos ímpios. (Sl 3.7). Todavia, não é possível para um cristão ficar passivo diante disso. O cristão tem em sua teologia a certeza de que o mal não é parte integrante da realidade, que sua existência não é ontológica, e que de fato o mal é “um parasita do bem”, sendo, portanto, um “corpo estranho” que deve finalmente ser destruído. Toda a expectativa escatológica e a luta pela justiça têm esse fundamente filosófico e teológico. Por isso a questão do coração que crê é “até quando” isso vai durar? Quando chegará o juízo divino? Qual é o fim disso? Tal expectativa pode ser vista no Salmo 37.10:
Um pouco de tempo, e os ímpios não mais existirão; por mais que você os procure, não serão encontrados.
Os detalhes mais claros da ilusão temporária dos ímpios aparecem nitidamente em 92.6,7:
O insensato não entende, o tolo não vê que, embora os ímpios brotem como a erva e floresçam todos os malfeitores, eles serão destruídos para sempre.
Todavia, a verdade é que vivemos num universo onde existe a justiça divina. O triunfo do mal é temporário e aparente. Toda maldade será castigada. Aqui vemos a lógica inequívoca da doutrina cristã do inferno. Não é possível que tanta perversidade “passe em branco”. A ira divina certamente se manifestará. Ao cristão cabe orar, manter-se íntegro, lutar contra a injustiça e denunciá-la sem devolver o mal com o mal e proclamar a verdade do Evangelho. Tal realidade de juízo sobre os ímpios é prenunciada com clareza nas linhas dos Salmos:
Pois o Senhor aprova o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios leva à destruição! (1.6).
E com muito mais força em 75.8:
Na mão do Senhor está um cálice cheio de vinho espumante e misturado; ele o derrama, e todos os ímpios da terra o bebem até a última gota.
Portanto, a grande advertência divina aos opressores e malfeitores de plantão é o seguinte: “Não acabará em pizza, não acabará em hambúrguer”, mas … pode, sim, acabar “em fogo”.
Luiz Sayão



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