3 de fev de 2017

O SÁBIO QUE SE DIZ TOLO


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Provérbios 30.1-4
“Ditados de Agur, filho de Jaque; oráculo: Este homem declarou a Itiel; a Itiel e a Ucal: ‘Sou o mais tolo dos homens; não tenho o entendimento de um ser humano. Não aprendi sabedoria, nem tenho conhecimento do Santo. Quem subiu aos céus e desceu? Quem ajuntou nas mãos os ventos? Quem embrulhou as águas em sua capa? Quem fixou todos os limites da terra? Qual é o seu nome, e o nome do seu filho? Conte-me, se você sabe!’” (Pv 30.1-4 NVI).
O capítulo 30 de Provérbios abre uma nova seção na qual Salomão não é o autor, mas o colecionador, ou seja, aquele que reuniu os provérbios de outro autor e os adicionou ao livro do qual ele é o colaborador majoritário. O autor tem o nome de “Agur, filho de Jaque”, sendo essa seção um “oráculo”, ou uma mensagem, que ele endereçou à “Itiel e a Ucal”. Nenhum desses nomes pode ser identificado nas Escrituras, mas é certo que Salomão não era o único homem sábio dos seus dias — vários outros são, inclusive, alistados pelo nome (1Co 4.30,31). É possível até que “Agur” fosse um dos sábios com quem Salomão convivia em seus dias, homens que tentaram aconselhar corretamente o filho do rei quando este assumiu o trono (1Rs 12.6-8). Entretanto, a identidade de “Agur” não é fundamental para o reconhecimento da sabedoria que ele transmitiu, bastando que Salomão tenha percebido o caráter sábio dos seus ditos, além de tê-los reproduzido no livro de Provérbios.
Desse modo, sendo Agur reconhecido como um sábio, ele diz algo surpreendente ao confessar: “Sou o mais tolo dos homens; não tenho o entendimento de um ser humano”. Por que um homem sábio diria ser falto de entendimento? Uma possibilidade é um tipo de falsa modéstia, o que não é o caso aqui. A outra possibilidade, muito real para Agur, é ele se julgar pequeno demais diante do conhecimento de Deus, pelo que diz: “Não aprendi sabedoria, nem tenho conhecimento do Santo”. O contexto do capítulo demonstra que ele sabia sobre Deus mais do que a maioria das pessoas costuma conhecer, mas esse não é o enfoque principal. Sua base de comparação não são as outras pessoas, mas o próprio Deus infinito, pelo que seu crescente conhecimento do Senhor produz nele também um crescente sentimento e consciência de humildade diante do eterno e soberano Deus.
A partir de então, ele quer convencer seus ouvintes do mesmo, lançando a eles um desafio que começa com a pergunta “quem subiu aos céus e desceu?”. É óbvio que a resposta dos seus ouvintes foi “ninguém”, confirmando com isso a singularidade da onipresença de Deus. As perguntas seguintes, que revelam a singular onipotência divina na criação e sua soberania no controle de todos os elementos incontroláveis da natureza são: “Quem ajuntou nas mãos os ventos? Quem embrulhou as águas em sua capa? Quem fixou todos os limites da terra?”. Como um prego no caixão das pretensões arrogantes dos homens, o autor pergunta “qual é o seu nome, e o nome do seu filho?”, ou seja, ele quer a identidade, com endereço e tudo mais, de algum homem que conseguiu fazer todas aquelas coisas e se igualar a Deus — obviamente, a resposta também é “ninguém”. Significa que o sábio é marcado por sua humildade diante de Deus e por conhecer seu lugar diante do soberano. Qualquer um que queira ser sábio atualmente tem de agir do mesmo modo. Ou você sabe de alguém que tenha algo que possa impressionar o Senhor ou algum poder ou habilidade que possam superar o Deus eterno? “Conte-me, se você sabe!”. Caso contrário, seja humilde e obediente a ele.

Fonte: Desconhecida


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